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Endometriose e Adenomiose

A endometriose é uma doença ginecológica comum  que acomete de 6 a 10% das mulheres em idade reprodutiva, e estima-se que esteja presente em até 30–50% em mulheres sintomáticas. Em mulheres com dor pélvica crônica, alguns estudos citam até 90% de incidência da endometriose.

A endometriose pode ser caracterizada como o crescimento de tecido endometrial fora do útero. O endométrio é o tecido que descama na menstruação e que reveste a cavidade uterina. Por mais que a pelve seja o local mais afetado, as células podem crescer em diversos outros locais do corpo feminino como  útero, ovários, trompas,, bexiga, ureteres, rins, reto, sigmóide, ceco e apêndice, além da parede abdominal.

A endometriose pode ser  dividida em ovariana, com os endometriomas nos ovários, endometriose peritoneal superficial e endometriose infiltrativa profunda .O diagnóstico precoce da doença é muito importante pois quanto mais tempo se demora para iniciar o tratamento mais avançada é a doença e podem surgir mais  complicações, como a invasão de órgãos, formação de aderências, causando infertilidade e levando o tratamento para o campo cirúrgico.

Uma investigação detalhada é baseada na história clínica,  exame físico e no mapeamento de endometriose,  permitindo chegar ao diagnóstico e iniciar um tratamento efetivo, que pode ser medicamentoso ou cirúrgico, com redução de sintomas e melhora na qualidade de vida da paciente, evitando as sequelas permanentes.

Já a adenomiose é quando o tecido endometrial cresce em excesso no interior da parede muscular do útero. É uma doença benigna, mas pode afetar significativamente a vida de mulheres, causando cólicas e sangramentos intensos, além de aumento do tamanho do útero.

Não há atualmente nenhuma causa específica conhecida para a adenomiose. No entanto, ela pode surgir após danos ao revestimento do útero durante a gravidez, parto ou procedimento cirúrgico. 

Acredita-se também que esteja relacionada à atividade hormonal dos ovários e à produção de estrogênio.

Temos basicamente dois tipos de adenomiose:

  • Focal: quando há um foco em uma área muito bem definida.
  • Difusa: afeta todo o útero e não uma área específica. É o mais frequente.

Com base na localização do tecido endometrial no miométrio, também é feita a distinção entre adenomiose superficial e profunda, nodular ou difusa. Neste último caso, a paciente apresenta mais dor pélvica.

Adenomiose não é sinônimo de Endometriose. São condições semelhantes, visto que as duas são identificadas pelo crescimento desordenado do endométrio, porém, a localização do tecido endometrial é o que vai diferenciar uma doença da outra.

Ambos os casos podem ser assintomáticos em algum momento. Por isso, é fundamental que a paciente fique muito atenta aos sinais que o corpo dá. Os sintomas podem ser minimizados ou até confundidos com sintomas do ciclo menstrual.

Quando os sintomas aparecem podem ser:

Para a endometriose:

  • Dor pélvica intensa durante o período menstrual;
  • Constipação ou diarréia crônicas;
  • Dor ás relações sexuais;
  • Dores na região lombar,   pelve ou vagina;
  • Infertilidade;

Para a adenomiose:

  • Dor pélvica intensa durante o período menstrual;
  • Sangramento uterino anormal( alto fluxo menstrual ou sangramento fora do período menstrual)
  • Aumento do volume do útero;
  • Dor ás relações sexuais;
  • Infertilidade.

O diagnóstico por imagem é essencial pois são muitas as causas de dor pélvica e infertilidade, não sendo possível apenas com os sintomas ou exame físico definir a presença da endometriose e adenomiose . E além disso há muitos casos assintomáticos, descobertos por acaso no primeiro exame ginecológico da mulher.

Os métodos de imagem essenciais ao diagnóstico tanto da endometriose quanto da adenomiose são o ultrassom para pesquisa de endometriose e a ressonância magnética pélvica.

Ultrassom Pesquisa de endometriose

Esse exame é considerado o padrão ouro para o rastreamento e classificação da endometriose. Com a realização do preparo adequado o médico consegue realizar todo um mapeamento abdominal e pélvico, sabendo localização, tamanho e extensão das lesões da endometriose. Neste exame são avaliados os rins, a parede abdominal, vagina,  bexiga,  útero,  ovários, ligamentos, os recessos da cavidade pélvica e a porção final do intestino (retossigmóide).

O preparo é muito importante pois fornece redução significativa do resíduo intestinal, principalmente do cólon sigmóide e reto, permitindo melhor visualização da parede destas estruturas e assim  localizar os focos de endometriose profunda ou infiltrativos.

Também é possível identificar a adenomiose pelo ultrassom transvaginal, no qual observa-se assimetria das paredes uterinas e heterogeneidade da parede mais espessa, com áreas císticas ou glandulares dentro do miométrio uterino.

Ressonância Magnética da Pelve

Com imagens de alta resolução e profundidade, a ressonância é muito indicada para casos suspeitos de endometriose ovariana e profunda, como complementar ao ultrassom, principalmente na suspeita de focos de endometriose profunda dos ligamentos e nervos da pelve. Além disso, as imagens obtidas permitem diferenciar os cistos ovarianos que contém sangue e a fibrose resultante do processo inflamatório das demais estruturas.

Para a adenomiose a ressonância é ótima para identificar toda a zona juncional (local onde se desenvolve a adenomiose) e mostrar seu espessamento, irregularidade ou localização atípica.

Preparo para o exame

O ultrassom pesquisa de endometriose, é um ultrassom transvaginal, porém, o seu preparo é diferente. Esse preparo é informado no agendamento do exame e consiste em dieta leve e sem fibras na véspera, deixando o mínimo de resíduos intestinais, e o uso de um laxativo intra-retal duas horas antes do exame. Esse preparo permite que o médico radiologista consiga ter a visualização adequada das camadas da parede do retossigmóide, além de evitar a sobreposição de gás e resíduos sobre as demais estruturas pélvicas.No momento do exame, para pacientes que já iniciaram a vida sexual, é solicitado a introdução de gel no canal vaginal, para facilitar a identificação de focos de endometriose na vagina e nos recessos peritoneais no fundo vaginal.

Sendo assim, com o preparo adequado , o médico radiologista consegue realizar todo um mapeamento da endometriose, sabendo a localização, tamanho e extensão das lesões da endometriose. E com esse mapeamento o ginecologista pode decidir juntamente com a paciente qual o melhor tratamento, facilitando também o acompanhamento desse tratamento.

Em caso de dor pélvica e infertilidade solicite ao seu médico que procure pela endometriose. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais chances de cura, melhora da qualidade de vida e preservação da fertilidade.

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